SÁNDOR KÁROLY HENRIK GROSSCHMID DE MÁRA, 

conhecido como Sándor Márai nasceu no ano de 1900 em Kassa, uma pequena cidade da Hungria, hoje pertencente à Eslováquia. Descendente de uma família burguesa, teve sua infância e puberdade conflitivas, incluindo passagens por internatos religiosos. Durante a juventude viajou pela Europa e, em Paris, onde fixou residência por alguns anos, conviveu com a vanguarda estética da capital cultural da época.


Poeta, jornalista, dramaturgo e romancista, um dos maiores escritores da língua húngara, escreveu seu primeiro livro aos 24 anos. Foi eleito membro da Academia Húngara de Ciências no ano de 1945 e, no entanto, teve sua obra proibida no país, levando algumas décadas para que, com a queda do regime comunista, fosse redescoberto e publicado mundialmente.

 

Márai produziu a maior parte de suas obras no período entre 1928 e 1948 e, entre peças de teatro, romance e artigos jornalísticos podemos citar mais de 60 publicações. Os conflitos, políticos e humanos, influenciaram fortemente seus escritos e, na maioria de seus livros são narrados encontros definitivos – e dramáticos – entre pessoas que se distanciaram há muitos anos. Seu estilo realista e sua prosa clara e precisa fizeram alguns críticos de literatura compará-lo a Thomas Mann e Stefan Zweig.


No Brasil, é possível encontrar edições de vários de seus livros, entre eles cabe destacar: Divórcio em Buda, As Brasas, De Verdade, Jogo de Cena em Bolzano e Veredicto em Canudos. Este último foi escrito por Sándor Márai após a leitura da versão em língua inglesa d’Os Sertões, de Euclides da Cunha, abordando de forma apaixonada questões atuais onde a realidade mescla, impiedosamente, as palavras bárbarie, civilização e absurdo.

A obra O Legado de Eszter, adaptada para este espetáculo teatral, foi publicada pela Companhia das Letras em 2001, com tradução direta do húngaro por Paulo Schiller e, por ocasião de seu lançamento, a crítica Sylvia Colombo escreveu na Folha de São Paulo: “Curiosamente, é possível arriscar um paralelo entre a vida do escritor húngaro e o desfecho de O Legado de Eszter, romance que escreveu em 1938.

Márai (1900-1989) foi um dos autores húngaros mais prestigiados do país antes da Segunda Guerra. Em 1948, inconformado com a ingerência soviética na Hungria, deixa o país. Vive alguns anos na Itália, depois fixa residência em San Diego, na Califórnia. Segue escrevendo, sempre em húngaro, e recusa-se a voltar à Hungria antes do último soldado soviético deixar o país. Em 1989, mesmo ano em que a queda do Muro de Berlim poderia fazê-lo vislumbrar uma oportunidade de voltar à sua terra natal, Márai suicida-se, aos 89, meses depois da morte de sua mulher.

Como Eszter, de quem investiga as ambiguidades, também ele pode ter considerado difícil mudar o enredo da existência no último ato".


“As decisões solenes e definitivas, que traçam o relevante na linha do destino de nossas vidas, são bem menos conscientes do que acreditamos mais tarde, nos momentos de rememoração e lembrança.”

(Sándor Márai, in O Legado de Eszter)

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